
Acho piada ao movimento gótico, goth, ou o que queiram chamar a um bando de tipos e tipas que se vestem de preto, enchem a cara de pó-de-arroz e andam armados ao pindarelho.
Qualquer grupo de interesses comuns, como o sejam o movimento gótico tem a sua razão de ser, desde que devida e correctamente fundamentada. Hoje, ouvi um pseudo-gótico a falar com uma pseudo-gótica do movimento pseudo-gótico. Dizia ele, na sua infinita sabedoria, que o movimento gótico nasceu da clandestinidade, representa a parte negra da Humanidade, nega religiões mas sente-se mais próximo dos movimentos satânicos e do culto negro. Ela ouvia atentamente e anuia com movimentos da cabeça. Ele continuava a falar da música gótica, dos “Miocardian Enfart” ou o raio que os parta. Ela continuava a anuir com movimentos da cabeça.
Guardei os comentários para este blog pela simples razão que a mim, ao contrário dos professores, não me pagam para ensinar ninguém. No entanto, aqui fica: o gótico que eles deveriam conhecer é uma corrente artística que vem desde o séc. XV, que procurava, através da Arte atingir a glória de Deus nas Alturas e do Homem na Terra. Cujos expoentes máximos podem ser encontrados na Catedral de Notre-Dame em Paris ou no Mosteiro da Batalha, em Portugal, espécimen único do gótico flamejante na Península Ibérica. Cujo lema era a aproximação a Deus, e por isso se abandonou a horizontalidade dos edifícios em detrimento da verticalidade dos edifícios góticos. Cujo esplendor era sinónimo da beleza da Humanidade e no reconhecimento de Deus como o guia dos Homens. No fundo, tudo o contrário do que o movimento pseudo-gótico apregoa de acordo com o pseudo-gótico que falava com a pseudo-gótica.
Pertencer a um grupo só por pertencer revela acefalidade. E um dos expoentes musicais do movimento gótico contemporâneo são os Fields of The Nephlin, mas se calhar isso é muito complicado para mentes vazias…
E isso, irrita-me profundamente…


depressivo!