O que verdadeiramente me irrita
Num país onde ninguém se governa nem quer ser governado…Arquivo para Julho 18, 2006
In JN.pt
“Tribunal autoriza partido pedófilo
Um tribunal de Haia chumbou, ontem, um requerimento que pretendia que a Justiça holandesa proibisse um grupo criado por três pedófilos de fundarem um partido político. “A liberdade de expressão, incluindo a liberdade de se criar um partido político, é visto como a base de uma sociedade democrática”, afirmou o juiz HFM Hofhuis num acórdão citado pela Associated Press e onde diz que o PNVD, iniciais que traduzem Amor Fraternal, Liberdade e Diversidade, “não cometeu nenhum crime”.
Aquele partido, criado por três pedófilos assumidos, defende a legalização de relações sexuais entre adultos e crianças com mais de 12 anos; a idade mínima legal de consentimento de relações sexuais de crianças e de adultos varia conforme os países, sendo que na Holanda e na maioria dos países da União Europeia é de 16 anos (14 no Canadá).
O anúncio da criação do PNVD gerou uma onda de revolta, ao ponto de o advogado dos contestatários, Anke Wijn, afirmar que os pedófilos estão a abusar da tolerância holandesa.
Com a decisão do tribunal, o PNVD pode apresentar-se às eleições legislativas de 22 de Novembro. Mas não deverão obter os 60 mil votos necessários para terem um deputado no Parlamento.”
Aquele partido, criado por três pedófilos assumidos, defende a legalização de relações sexuais entre adultos e crianças com mais de 12 anos; a idade mínima legal de consentimento de relações sexuais de crianças e de adultos varia conforme os países, sendo que na Holanda e na maioria dos países da União Europeia é de 16 anos (14 no Canadá).
O anúncio da criação do PNVD gerou uma onda de revolta, ao ponto de o advogado dos contestatários, Anke Wijn, afirmar que os pedófilos estão a abusar da tolerância holandesa.
Com a decisão do tribunal, o PNVD pode apresentar-se às eleições legislativas de 22 de Novembro. Mas não deverão obter os 60 mil votos necessários para terem um deputado no Parlamento.”
Como sempre, a democracia moderna só funciona quando ninguém abana o barco. A criação de conflitos de interesse pode levar à percepção, errada, que um partido não pode ser fundado só porque defende valores contrários aos nossos ou valores considerados socialmente imorais, como é o caso de um partido de pedófilos ou um partido de extrema-direita.
Para aqueles que defendem que este tipo de partidos não pode existir, lembrem-se que o crime está na acção e não na defesa da acção: ninguém pode ser acusado por achar que fulano fez bem em matar cicrano, mas quem o matou deve ser acusado e castigado.
O problema não está na criação dos partidos mas sim no medo que as pessoas têm de que determinada facção possa criar um clima de desconfiança: tal como os portugueses têm receio de que um partido de extrema esquerda ou extrema direita possa, efectivamente, vencer um qualquer acto eleitoral, os holandeses têm medo de virem a descobrir que, de facto, existem muitos pedófilos ou muita gente que concorda com eles.
A história provou-nos vezes sem conta que a evolução das mentalidades provoca a evolução – ou revolução, se assim o entenderem – das políticas. Passamos dos conselhos tribais para democracia grega, desta para a monarquia medieval, desta para a monarquia iluminada, desta para a monarquia absoluta, desta para a república, desta para a democracia moderna e, para já estagnamos. Mas durante quanto tempo se manterá o status quo ? Durante quanto tempo a democracia moderna, que começa já a ser minada por uma certa e paradoxal anarquia organizada, se manterá como sistema político vigente? Durante quanto tempo se aguentarão os valores morais instituídos pelos sistemas religiosos?
A questão que se deve colocar é: qual é o maior crime? Sujeitar-se à lei e permitir a criação de um partido com tendências pedófilas e socialmente imorais ou não permitir a sua criação e deitar por terra todas as bases da democracia moderna?
Se se sabe que a liberdade dos outros termina onde a minha começa, o contrário também é verdade, e isso, por muito que custe a muitos, tem de ser afirmado, mesmo a nível político.
Ao não permitirmos a existência de correntes ideológicas, políticas ou sociais diferentes das nossas estamos a actuar no oposto do que queremos ser, pelo que, a partir desse ponto, não podemos condenar os outros que actuam contra nós…
Uma palavra ao povo holandês: se não quiserem dar alento a uma força partidária que defende que a idade mínima para consentimento de relações sexuais entre crianças e adultos seja de 12 anos, só têm uma coisa a fazer: não votem nesse partido. Esta é a verdadeira força da democracia moderna: qual o interesse de poder votar, se não se sabe o que fazer com o voto?
In JN.pt
“Sinais de optimismo animam Economia” – Ainda bem que alguma coisa neste país consegue andar animado depois do Mundial…
“Assinado hoje memorando para Cabinda” – No memorando, podia ler-se: “Comprar meio quilo de pau em pó”…

