O que verdadeiramente me irrita

Num país onde ninguém se governa nem quer ser governado…

Duas considerações sobre abortos

E não, não estou a falar dos defensores do Não, apesar de poderem existir algumas semelhanças, nomeadamente ao nível da qualidade intelectual das argumentações.
1ª Consideração – Uma pessoa que afirma que as pessoas devem votar não porque o número de nascimentos vai rejuvenescer a sociedade e a economia é duplamente estúpida: primeiro porque as mulheres não são mulas carrejonas cujo único propósito é dar à luz; depois, porque ouvi essa afirmação da boca de uma mulher!!!
2ª Consideração – Sempre que ouço os apoiantes do Não falar, apetece-me ir ao hipermercado mais próximo comprar mantimentos para a invasão que aí vem: milhões e milhões de mulheres em estilo zombie a dirigirem-se em fila indiana para os hospitais para poderem abortar. Admiro-me de ainda ninguém ter tido a ideia de afirmar que a única razão do governo apoiar o sim é para garantir uma maior taxa de internamento e, com isso, diminuir o défice…

5 Comentários »

  Alien David Sousa wrote @

Karl quando ouvimos determinadas coisas é que temos a certeza de que a estupidez humana não tem limites.
beijos

  linfoma_a-escrota wrote @

lol muito mau mesmo:

A ‘boa’ lei
“A história passa-se no final de 2005. Uma adolescente de 14 anos entra no Hospital de Santa Maria com uma overdose de misoprostol, vulgo Citotec, o medicamento para o estômago liberalizado nos últimos cinco ou seis anos como método abortivo auto-induzido que resulta em inúmeras sobredosagens diagnosticadas nas urgências. Ana – chamemos-lhe Ana, é curto e serve – tomou 64 comprimidos. Remetida de um hospital de periferia, chega “já em choque” a Santa Maria, com “alterações vasculares importantes ao nível do tubo digestivo”. Em bom português, a Ana está toda rebentada por dentro. A operação não a salva.

Ana estava de 20 semanas. Mais dez que aquelas que a pergunta do referendo prevê e mais oito que as 12 previstas na lei em vigor para casos de “risco para saúde física ou psíquica da grávida”. Talvez, se Ana tivesse tido a ideia e a coragem de, com ou sem os pais, ir a um hospital às dez semanas de gravidez, um médico compassivo lhe tivesse resolvido “o problema”, considerando que a gravidez numa menina de 14 anos pode constituir um grave risco para a saúde. Nunca saberemos. O que se sabe é que a lei não abre excepções para meninas de 14 anos – mesmo se, aos 14 anos, nem sequer se é imputável criminalmente. O que se sabe é que a lei diz que toda a gravidez “normal” que não seja entendida como fruto de crime de violação deve ser levada a termo, com carácter de obrigatoriedade e sob ameaça de três anos de prisão. E que mesmo nos casos como o da Ana, cujo acto, pela idade da autora, estaria automaticamente despenalizado, a pena pode ser a morte.

A morte por aborto, em 2005, por ausência de acesso a uma interrupção de gravidez médica e segura. É esta a lei “boa” que Marcelo Rebelo de Sousa descobriu agora. Esta ou aquela que o professor, na sua dominical cátedra mediática, imaginou em forma de “despenalização geral”, sem limite no tempo de gestação, desde que “não seja a mulher a decidir”. Quem decidiria, não se sabe, o professor não disse. Nem o que aconteceu à argumentação do sagrado valor da “vida intra-uterina”, o tal valor que justifica a qualificação de “crime”. Nem, tão-pouco, o que aconteceria às mulheres que decidissem interromper a gravidez sem caução “superior”. Mas adivinha-se. Aconteceria o que acontece agora, exactamente: vergonha, clandestinidade, sofrimento, saúde arruinada e às vezes morte. É a pena que o professor Marcelo, que não quer “ver mulheres julgadas”, lhes decreta. A pena de morte, sem julgamento.”

Fernanda Câncio, Diário de Notícias, 26/01/2007

se tiveres tido paciencia pa ler tudo podes ir ter às:

http://www.motoratasdemarte.blogspot.com

  LFM wrote @

Já ouvi dizer que a maioria das mulheres grávidas estão a aguentar de pernas fechadas à espera da liberalização…
A corrida será maior que a maratona sobre a ponte 25 de Abril

  kalinka wrote @

Um dos peritos da comissão encarregue de avaliar alternativas de financiamento do Serviço Nacional de Saúde (SNS) apresentou a sua demissão, por considerar demasiado economicista o relatório que o grupo está a preparar. Em declarações à Lusa, Paulo Kuteev Moreira, professor da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP), disse discordar do sentido “exclusivamente económico” das propostas elaboradas pela Comissão para a Sustentabilidade do Financiamento do SNS.
(comentário meu: infelizmente é o País que temos…)
é só um desabafo meu; porque lá no kalinka, o tema é o Amor, convido-te para ires deixar um pouco de Amor, um miminho para mim!!!

Domingo lá estaremos, no cumprimento do nosso dever cívico.

Bom fim de semana.
Grande beijo.

  O Vizinho wrote @

Eu até compreendo que aquela gente esteja do lado do Não.
É uma questão de lógica.
Se as mamãs deles pudessem ter optado…


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