Um destes dias, jantava eu com a minha “Maria” quando subitamente, no ecrã da televisão, passou uma reportagem sobre a importância do pequeno-almoço.
No início, pensei que fosse uma comédia, mas acabou por tornar-se num drama.
Começa bem: um punhado de mulheres reúne-se num hotel de 5 estrelas onde é servido um pequeno-almoço substancial.
Inicia o descalabro: uma nutricionista diz o que devemos comer – queijo fresco, um pedaço de pão escuro, uma fatia de fiambre, manga, ananás e papaia, tudo alimentos ao preço da chuva como todos nós sabemos.
(Um parêntesis para afirmar que só agora compreendo porque é que o pequeno-almoço é a refeição mais importante do dia: com o dinheiro que gastamos, não sobra muito para o almoço nem para o jantar, pelo que dá sempre jeito ter alguma coisita no estômago…)
Depois aparece-me um tal de Presidente da Associação de Cardiologia de Portugal ou algo que o valha e aqui é que o descalabro foi total. De acordo com o senhor (que, certamente, tomará pequenos-almoços em excesso…) , “os miúdos que não tomam o pequeno-almoço têm piores notas” (o que é mentira e eu estou aqui para o provar…) e, espante-se, “as pessoas que não tomam pequeno-almoço têm mais acidentes automóveis” (!!!!!!!!).
Fiquei imediatamente agarrado ao ecrã na esperança que o senhor me dissesse que, se tomasse o pequeno-almoço podia ter relações sexuais com uma dúzia de seropositivas, que o cancro não me tocava, que era imortal. Mas não, não disse mais nada.
Na manhã seguinte, bebi o meu copo de leite e peguei no carro. Cheguei a casa ileso ao final do dia. Só para provar que os mais idiotas não são os que não tomam o pequeno-almoço: são os que o tomam em demasia…


Para mim é a principal refeição do dia. Sem o pequeno-almoço, não sou gente