Para determinados Juízes, a opinião médica não conta. Mesmo com dois pareceres médicos e imensas contestações por parte dos profissionais de saúde, há que dar razão ao Hotel que despediu um cozinheiro portador do HIV. Dizem que se espalha pelo suor e pelas lágrimas.
Pelo sim pelo não, o colectivo de juizes deu a sentença a mais de 500 metros do dito cozinheiro. Dizem que se espalha pelo ar…
Amanhã, os mesmos juízes (certamente imbuídos do espírito das Juntas Médicas) vão declarar que os mortos não estão mortos… É Cristo nas alturas e o colectivo de Juizes na Terra…


Meu querido amigo:
Eu trabalhei numa instalação turística onde havia um rapaz, ex-toxicodependente, que era o lavador oficial de loiça. Ele era do mais cuidadoso que já conheci, mas um dia cortou-se.
Numa sala cheia de crianças, num dia de Agosto movimentado, ele sangrou desalmadamente e foi um problema arranjar alguém que lhe fizesse um curativo, porque ele próprio estava cheio de medo de contagiar alguém. Veio um enfermeiro profissional e aquilo teve que ser tudo desinfectado por ordem dele, fechando o estaminé o resto do dia.
Isto pode ser mania da perseguição; o que é certo é que um cozinheiro trabalha com facas e com objectos cortantes. Não é exactamente a mesma coisa que trabalhar num escritório, onde o risco de cortes é mínimo.
Agora podes crucificar-me por isto, mas não tem nada de nazi. É uma questão de sensatez – há trabalhos que têm, efectivamente, um alto grau de perigosidade para estes doentes e para quem trabalha com eles. Quem nunca se cortou a descascar batatas?
Não deveriam despedi-lo, mas sim colocá-lo em funções em que a segurança dele e dos outros não se visse afectada.