O que verdadeiramente me irrita
Num país onde ninguém se governa nem quer ser governado…Arquivo para Abril, 2009
Sobre Santa Comba Dão…
… apraz-me dizer o seguinte:
Não vejo como polémica ou mesmo um insulto a inauguração de um largo com o nome de Salazar no 25 de Abril. Passa-me ao lado. É um fait-divers ao qual se está a dar a indevida importância.
No entanto, não posso deixar de comentar algumas das barbaridades que por aí se dizem sobre o assunto.
Pergunto: o que é que Salazar tem a ver com o 25 de Abril? Para além de terem trocado o nome da ponte na “Capital da Nação”, não vislumbro mais nenhuma relação. Salazar já era comida de minhoca em 1974. Marcelo Caetano caminhava mais depressa para a Democracia do que para a repressão. Talvez o 25 de Abril tenha sido a antecipação pela força do que poderia ter acontecido naturalmente. Nunca o saberemos e o resto é, como podem ver, especulação. Dizer que o País está melhor do que em 73 por causa do 25 de Abril é afirmar o óbvio. Se não houvesse 25 de Abril o país estaria pior do que em 73? Não acredito. Mas nunca o saberemos e o resto é, lá está, especulação.
E poderíamos especular até à exaustão sobre o assunto: Será que se não houvesse Golpe Militar em 26 teríamos ditadura? Teríamos Salazares, Otelos, MFA’s, Marcelos e muitos outros? Se não houvesse 25 de Abril, teríamos ditadura ainda ou liberdade? Estaríamos melhor ou pior? Repito-o com convicção: Não sabemos. Nunca saberemos.
Temos pois que nos congratular que, em Liberdade, num Estado de Direito, ao vogar da Democracia, somos democráticos o suficiente para aceitar que, no dia em que se comemora a Liberdade, Santa Comba Dão a tenha para inaugurar uma obra municipal. Ao mostrarmos intolerância não estamos a ser melhores do que os que, todos os dias, desdenham a liberdade que muitos lutaram para conquistar, aspirando a um Estado estrangulador dos nossos direitos.
E se mesmo assim, não concordarem, fiquem com este pensamento: Oh, magnífico paradoxo. Homenagear um ditador em Dia de Liberdade? Salazar deve estar às voltas no túmulo.
Oh, oh, oh e uma garrafa de rum!…
O chefe dos piratas somalis que, numa casca de noz, conseguiram mobilizar uma frota da NATO, ameaçou perseguir os cidadãos americanos que se aventurassem em águas “perigosas”, como retaliação das mortes causadas pela força de intervenção americana aquando do resgate do capitão Richard Philips.
Segundo noticia o Público, não só em águas somalis, mas os Estados Unidos devem preparar-se para uma invasão (a Baía do Hudson que se cuide)…

