O que verdadeiramente me irrita

Num país onde ninguém se governa nem quer ser governado…

(Des)Humano…

Daqui a dois dias o Estado do Texas vai executar Kenneth Foster com uma injecção letal, mais um condenado a juntar a uma longa lista com outros 400 nomes. Mas, mesmo no Texas, esta execução é um caso único e inédito. Kenneth não matou ninguém. No seu julgamento ficou provado que não disparou, nem tocou, em nenhuma arma e que estava a mais de 25 metros do local onde decorreu o homicídio que está na origem desta inacreditável decisão judicial.
Mas, apesar do verdadeiro autor do crime ter confessado agir por mote próprio e sem conhecimento dos seus companheiros no assalto que originou o homicídio, Kenneth Foster vai ser executado porque o tribunal considerou que podia ter previsto e impedido uma morte que não foi premeditada. Na origem desta inédita decisão está a “law of parties”, uma controversa lei que elimina a distinção entre o responsável criminal e os seus cúmplices – mais não seja porque os últimos têm a obrigação de prever a possibilidade do crime.
Kenneth Foster não disparou a arma do crime, não o incitou, nem combinou. Condenar alguém pela cumplicidade num crime pressupõe que exista premeditação e conspiração. Ora, a absoluta loucura deste caso é que uma lei concebida para punir a cumplicidade está a ser usada para condenar um homem num crime onde esta não existiu. Uma decisão puramente especulativa que deveria envergonhar mesmo o mais fervoroso defensor da pena de morte. Nos corredores da morte do Texas estão mais 80 prisioneiros à espera de execução com base nesta mesma lei.”
(Texto integral via Zero de Conduta)
Sou, por princípio, contra a pena de morte. Sou, por princípio e coerência, obrigado a reconhecer que o Estado tem o direito a castigar, mas não a matar. Ao condenar um homem a morrer, o Estado (ou seja, todos nós!) passa a agir como um criminoso ao qual não pode ser indiciado nenhum crime.

Matar é o único acto condenado por todas as religiões: a Cristã, a Judaica, a Muçulmana, a Budista…

Ao mandarmos um homem para a morte estamos a tornar-nos nesse homem. Somos tão ou mais criminosos que ele!

No caso concreto de Kenneth Foster, o crime dele foi estar no sítio errado à hora errada. É de loucos pensar que alguém vai ser condenado à pena de morte por não ter impedido um crime que não foi premeditado. É tão válido como um dos meus amigos ser condenado por fuga fiscal só porque estava no mesmo edifício onde fica o meu contabilista…

No Texas, de onde é originário George W. Bush – que não impediu um crime premeditado e até o ordenou como a Invasão do Iraque – é assim que se finge fazer justiça…
Ahhh, Kenneth Foster é negro…
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2 comentários»

  dYn@ wrote @

Está explicado. Este úlitmo dado foi fundamental para a condenação lá nos states. É preto…

É uma pena existir ainda pena de morte e pior ainda nestes trâmites tão ridiculos (cumplicidade sem haver premeditação de crime…), que nem a uma pena perpétua deveria dar, mas enfim… Não sou eu que faço as leis…

o Bush filho saiu do Texas, mas os texanos continuam a seguir-lhe as pisadas. Crimes atrás de crimes…

  aitb wrote @

e o mundo permanece impassível… irritante mesmo!!

bjos


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