O que verdadeiramente me irrita

Num país onde ninguém se governa nem quer ser governado…

Da Natureza Eleitoral dos Portugueses

Terminado que está o primeiro de três assaltos do qual o ciclo eleitoral de 2009 é composto, não me revejo neste País, nesta Nação, onde dois terços dos habitantes habilitados para votar e, com isso, decidirem a via e o futuro dessa mesma nação, simplesmente não o faz.

Ontem fui votar pela primeira vez desde que mudei de residência. Perdi 5 minutos entre chegar de carro ao local, dirigir-me à minha secção de voto, cumprir o direito que adquiri muito à custa do esforço e dedicação da geração dos meus pais, e voltar ao veículo.
Com esse gesto, saí satisfeito e orgulhoso comigo mesmo, sentindo o orgulho de todos quantos lutaram para que pudéssemos viver em democracia participativa, para que pudéssemos exercer o nosso direito e o nosso dever de votar.
Com esse gesto, tomei nas minhas mãos uma pequena parte das decisões sobre, para e deste País. Para o bem e para o mal.
Com esse gesto, pressiono moralmente os eleitos a cumprir a vontade dos eleitores.
Com esse gesto, fico moralmente apto a discordar das suas acções e a expressá-lo publicamente e nas urnas.

Aos que não foram votar, não lhes reconheço essa capacidade, nem essa moral, nem sequer a vontade de mudar.
Se não quiseram ser parte da solução, serão parte do problema.

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8 comentários»

  Deus wrote @

E, no entanto, serão aqueles que não votaram, neste e em outros actos eleitorais, os primeiros a ladrar sobre quem governa ou representa neste país. Cada povo tem o governo que merece…

  Rui Manuel Martins wrote @

Esquece-se é de quem não vota com uma intenção política – há quem não concorde com a adesão à União Europeia, há também quem não concorda com os sistemas partidários… – ou quem não o faz porque realmente reconhece que não tem uma opinião clara a expressar no papel. É uma visão muito, muito redutora daquilo que foram os grandes números da abstenção.

  karlmacx wrote @

Caro Rui,

Quem não concorda com a UE, vote em branco.
Quem não concorda com os sistemas partidários, vote em branco.
Quem não tem uma opinião clara a expressar no papel, não expresse – vote em branco.
Vote em branco, mas vote.
O resto é um exercício onanista de pura preguiça.

  João Moreira wrote @

Sendo muito complicada a apreciação sobre esta temática, assim a quente, digo que para além de ser uma recusa a um acto de cidadania, pelo qual várias gerações lutaram, a abstenção é um acto de cobardia.
Não acredito que em tantas candidaturas não haja uma em que as pessoas se revejam, mesmo que o seu voto não tenha utilidade prática. É uma questão de consciência. É o não se permitir que outros decidam por nós, sem darmos “luta”. É uma forma de expressarmos a nossa opinião, e disso jamais abdicarei.
Para este país (e outros), só há duas soluções: Ou as pessoas entendem que o caminho passa pela sua participação activa na vida social, ou então deixam isto às mãos do destino e, depois não se queixem!
Eu que já tenho um pouquinho mais de 18 anos, nunca gostei que outros “falassem” por mim. Ontem, ainda por cima, estive de “serviço” numa sessão de voto. Há quem pense que se afastando dos problemas eles deixam de existir. Pura cobardia, é o que é.
Tenho dito!
Palavra da Salvação. Amen!

  Paulo Alves wrote @

O povo que pergunta “onde estão os politicos competentes quando precisamos deles?” expressou-se a 60%…

  karlmacx wrote @

Desculpa discordar, Paulo.
Mas o povo que pergunta isso expressou-se a pouco mais de 4%.
Os outros não se deram ao trabalho de se expressar…

  Moby wrote @

Tal como ouvi nas notícias, várias pessoas diziam sobre estas eleições:
-“Ah eu não vou votar… isso é lá para a Europa ou o que é, não é?”
-“Eles querem é ir para o poleiro, como os outros… para isso eu não voto.”

Infelizmente não precisamos de procurar razões tão filosóficas para desculpar um povo que ainda é tão ignorante, infelizmente.
Quem continua a suportar esta ignorância em larga escala são os partidos, que no meio da sua disputa esqueceram-se de falar na tal Europa, tão longínqua ela é.

  mastermoon wrote @

Votar ou não votar?
Se para uns as eleições são a vitoria conseguida a força de muito esforço.
Para outros são a confirmação da submissão ao sistema.
Democracia participativa ???
Onde como e quando???
Não são precisas mais eleições, são precisos outra vez os tanques e as chamites, mas desta vez à séria.


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