O que verdadeiramente me irrita

Num país onde ninguém se governa nem quer ser governado…

Arquivo de Declarações

Da Natureza Eleitoral dos Portugueses

Terminado que está o primeiro de três assaltos do qual o ciclo eleitoral de 2009 é composto, não me revejo neste País, nesta Nação, onde dois terços dos habitantes habilitados para votar e, com isso, decidirem a via e o futuro dessa mesma nação, simplesmente não o faz.

Ontem fui votar pela primeira vez desde que mudei de residência. Perdi 5 minutos entre chegar de carro ao local, dirigir-me à minha secção de voto, cumprir o direito que adquiri muito à custa do esforço e dedicação da geração dos meus pais, e voltar ao veículo.
Com esse gesto, saí satisfeito e orgulhoso comigo mesmo, sentindo o orgulho de todos quantos lutaram para que pudéssemos viver em democracia participativa, para que pudéssemos exercer o nosso direito e o nosso dever de votar.
Com esse gesto, tomei nas minhas mãos uma pequena parte das decisões sobre, para e deste País. Para o bem e para o mal.
Com esse gesto, pressiono moralmente os eleitos a cumprir a vontade dos eleitores.
Com esse gesto, fico moralmente apto a discordar das suas acções e a expressá-lo publicamente e nas urnas.

Aos que não foram votar, não lhes reconheço essa capacidade, nem essa moral, nem sequer a vontade de mudar.
Se não quiseram ser parte da solução, serão parte do problema.

5 ANOS

de Vida Irritante – O que verdadeiramente me irrita.

5 anos de muitas irritações, muitos disparates, muitas dores de cabeça, mas também fica a vontade de continuar.

“Blogosfericamente” falando,  5 anos é uma vida. Espero que continuem a visitar este estaminé durante muitos mais.

A todos os visitantes, família e amigos, um muito obrigado pela paciência, pelo apoio e sobretudo pelas críticas. É com elas que este blog e o seu autor crescem de dia para dia.

Lema para 2009

Sê a mudança que desejas ver no Mundo” – Ghandi

Desejo que o ano de 2009, não podendo ser melhor do que o de 2008, não seja pior.

Feliz Natal para todos…

… Excepto para Sócrates e o seu Governo, para a classe política em geral, para os banqueiros e administradores de bancos e empresas fraudulentas, para a tipa da Segurança Social que só chateou a minha mulher e para os vizinhos que nem sequer têm educação para responder a um “boa noite”.

A todos os outros, um Natal feliz, juntos daqueles que amam, com saúde e boa-disposição!

O Milagre de Natal

Recordo com um misto sentimental de melancolia e alegria os Natais da minha infância. Mais do que pelas prendas, que apesar de sempre desejadas, nunca foram exigidas (outros tempos, outras mentalidades, menos mimo e mais carinho), a bruma da memória dissipa-se com a lembrança dos programas da tarde da RTP (incluindo o Natal dos Hospitais – sim, é verdade!) e o cheiro da aletria, do leite-creme e do rolo de chocolate que me assolava as narinas vindo da cozinha da minha avó Belmira. E se alguém sabe fazer rolo de chocolate, acreditem quando digo que é a minha avó! Nos dias que antecediam a vinda do Pai Natal (ou da minha mãe vestida com um ridículo fato vermelho, com uma almofada a fazer de barriga proeminente e a tentar tornar mais grave a sua voz de rouxinol), a ânsia pelo rolo de chocolate era tanta que, depois da hora do almoço, “não havia menino”, que é como que diz, nem me passava pela cabeça sair de casa, por muito sol que fizesse no pátio do meio da “Ilha do Preguiça”. O meu único irmão, mais velho que eu, declarara-se meses antes “muito crescido para essas coisas”, e invariavelmente ia ter com os amigos para passarem o resto da tarde juntos, fortalecendo ainda mais – se é que ainda mais fosse possível – os laços de amizade. Restava-me, pois então, honrar a tradição que tinha começado com ele, o neto mais velho (ou como diria a minha avó, “O filho mais novo”, ou não fosse ele ter nascido no dealbar da década de 70, em plana cama dela…) e assumir o meu papel de líder, de provador oficial da cozinha de Natal da D. Belmira.
Era só quem me visse, qual “Miúra”, atravessando as portas e entrando na arena com os olhos postos na bacia onde repousava o chocolate que não teve a felicidade de se enrolar com a massa do bolo. A mão certeira da minha avó fazia este milagre. Será sempre, para mim, o verdadeiro Milagre de Natal!

E o sonho realizou-se!…

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“I have a dream…”.
Começou assim um dos mais famosos discursos de todo o mundo, proferido pelo Rev. Martin Luther King, Jr. em Washington. Estavamos no ano de 1963, em 28 de Agosto para ser mais preciso, e King discursava na escadaria do Lincoln Memorial. Em defesa da igualdade de direitos entre negros e brancos, King deu a cara e, sem se aperceber, tornou-se um mito.
Durante décadas, MLK foi o exemplo maior da luta que os negros empregaram em busca do que deveria ser senso comum: somos todos iguais, independentemente de raça ou credo religioso.

Ontem, durante a madrugada, os EUA elevaram ainda mais alto a fasquia: elegeram o primeiro presidente afro-americano da sua História!
Este aspecto é tão mais relevante quando devemos ter em conta que, ainda hoje, 40 anos depois do assassinato de King, a “white america” conseguia manobrar-se bem nos corredores do poder. Isso termina, espero, agora.
Mais do que democratas e republicanos, negros e caucasianos, a dicotomia existente entre os “rednecks” da América profunda (de que George Walker Bush e Sarah Palin são legítimos representantes) e a América civilizada ficou mais que demonstrada.

A América mudou. Para melhor. Porque demonstrou espírito de união e vontade de mudança mas, acima de tudo, gritou do alto do seu âmago, tal como MLK o tinha feito na escadaria do Lincoln Memorial, “Free at last, free at last. Thank you God allmighty, we’re free at last”!

Considerações avulsas…

1. O FCP perdeu na Figueira. A equipa não tem fio de jogo, as laterais têm mais buracos que um queijo suíço, e Jesualdo continua a jogar com 10: Se não é Mariano, é Benitez. Ainda assim, há quem teime em atribuir o mau momento de forma a forças externas….

2. Cada vez que abre a boca, Manuela Ferreira Leite não deixa entrar mosca. Logo só pode sair merda. Se esta é a forma que o PSD tem para derrotar Sócrates, então estamos fod…

3. Curioso como, no rescaldo do grande embate do fim-de-semana, o Contribuintes FC vs. BPN, se tenha falado em distracções, falta de regulamentação, nacionalizações e garantias de depósitos. Só faltou mesmo falar do mais importante: como e quando é que vão responsabilizar criminalmente os administradores do BPN e como vão assegurar os postos de trabalho dos trabalhadores que nada tiveram a ver com as decisões tomadas pelas administrações?

4. A centena de queixas que chegou à ERC depois da transmissão da “Missa do Magalhães” no programa dos Gato Fedorento “Zé Carlos” só me leva a concluir isto: Se Deus não tivesse sentido de humor, se calhar os queixosos nunca teriam nascido. Nem o Sócrates.

5. Obama tem tudo para fazer história… isto se o votos na Flórida não forem levados por um furacão, entretanto. A perder, McCain não deverá procurar muito a razão da sua derrota: Sarah Palin. Ela só vem dar razão aos machistas que acham que as mulheres deveriam era ficar caladas. Por mim, acho normal. Número de circo que se preze tem sempre de ter um palhaço rico e um palhaço pobre…